
28 de agosto 2025
Na edição de ontem (27) o programa Divina Prosa, recebeu dois convidados especiais para um bate-papo profundo e necessário: a sacerdotisa de umbanda Maria Aparecida, conhecida como Cidinha, e o Sacerdote de umbanda Diego Francisco. O tema central foi a religiosidade de matriz africana e os desafios ainda enfrentados diante da intolerância e do racismo religioso no Brasil.
Logo no início da entrevista, Cidinha fez uma distinção importante: “A intolerância religiosa é uma divergência entre religiões, quando um não concorda com o outro. Já o racismo religioso vai além: é perseguição, discurso de ódio, repulsa a tudo que vem da história afro e dos cultos de matriz africana.”
Ela destacou que, apesar de o Brasil ser um Estado laico, o racismo religioso se mantém enraizado na sociedade desde o período colonial. Para a sacerdotisa, esse preconceito não apenas criminalizou práticas religiosas, mas também demonizou divindades, orixás e até mesmo os ancestrais cultuados nas tradições afro-brasileiras.
Diego Pai Pequeno reforçou a fala da convidada lembrando episódios de perseguição, como agressões físicas, depredações e ataques a terreiros: “Já houve casos de crianças apedrejadas no Rio de Janeiro por usarem roupas brancas, pais e mães de santo obrigados a destruir imagens sagradas. Isso é apagamento cultural, uma tentativa de humilhação.”
Durante a entrevista, os convidados ressaltaram a necessidade de desmistificar preconceitos e ampliar o acesso à informação. Cidinha destacou a existência de leis que preveem o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, como a Lei 10.639/2003, mas apontou que ainda há resistência para que esse conteúdo seja trabalhado de forma plena no ambiente escolar.
Ela também lembrou que há uma vasta produção de livros, filmes e coletivos acadêmicos que discutem o tema, como o grupo Umbanda de Verdade e pesquisas que tratam do processo histórico de embranquecimento da Umbanda. Para os convidados, espaços de diálogo, como os meios de comunicação, são essenciais para combater a ignorância e o preconceito. “Precisamos naturalizar nossa cultura, mostrar que a Umbanda é cura, é caridade, é amor ao próximo. Não cultuamos o mal. O que falta é mais informação e menos preconceito”, afirmou Diego.
Encerrando a entrevista, Cidinha e Diego deixaram mensagens de reflexão aos ouvintes. Eles ressaltaram a importância do autocuidado, da família e do respeito às diferenças como caminhos para uma convivência mais justa e pacífica. “Em pleno 2025, ainda não poder fazer uma festa em casa por medo do preconceito do vizinho é muito triste. Precisamos de campanhas, passeatas, informação. Umbanda é saúde, equilíbrio e paz”, destacou Cidinha.