26 de fevereiro 2026
O programa Elas,trouxe em sua última edição um tema profundo e necessário: feminismo, história e as grandes mulheres que transformaram o mundo. Em um debate leve, mas repleto de informação e reflexão, as apresentadoras contextualizaram a origem do movimento feminista, suas diferentes vertentes e os impactos concretos das lutas femininas ao longo dos séculos.
Logo na abertura, o programa reforçou que o feminismo não nasceu do excesso, mas da falta — falta de direitos, de voz, de reconhecimento e de proteção. Durante séculos, mulheres foram impedidas de votar, estudar, possuir bens ou decidir sobre a própria vida. Cada avanço conquistado foi fruto de mobilização, resistência e enfrentamento.
O debate relembrou o movimento sufragista do século XIX, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos, onde mulheres organizaram marchas, protestos e até greves de fome para conquistar o direito ao voto. A Nova Zelândia foi o primeiro país a garantir esse direito às mulheres, em 1893. Nos Estados Unidos, o voto feminino foi reconhecido em 1920. No Brasil, a conquista veio em 1932, com forte atuação de lideranças como Berta Lutz e a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.
As apresentadoras destacaram que o feminismo é plural, com diferentes correntes — liberal, radical e interseccional — mas todas com um objetivo comum: igualdade de direitos e oportunidades. Também foi enfatizada a diferença entre feminismo e machismo, esclarecendo que o movimento não se trata de guerra entre homens e mulheres, mas de justiça histórica e transformação de estruturas desiguais.
Um dos pontos altos do programa foi a valorização do protagonismo feminino na ciência. Foram citados nomes históricos e contemporâneos que enfrentaram preconceito, apagamento e falta de investimento, mas deixaram legados incontestáveis.
Entre os destaques:
Marie Curie, primeira pessoa a ganhar dois Prêmios Nobel, pioneira nos estudos sobre radioatividade.
Rosalind Franklin, fundamental para a descoberta da estrutura do DNA, mas que teve sua contribuição inicialmente omitida.
Nise da Silveira, psiquiatra brasileira que revolucionou o tratamento em saúde mental ao defender métodos humanizados e abolir práticas agressivas.
Jaqueline Góes de Jesus, cientista brasileira que liderou o sequenciamento do genoma do coronavírus no Brasil durante a pandemia.
Tatiana Coelho, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, substância inovadora voltada à regeneração de neurônios da medula espinhal.
O programa também abordou a importância do investimento em ciência e educação, lembrando que a falta de recursos impacta diretamente pesquisas e pode levar à fuga de cérebros para o exterior.
Outro ponto relevante da discussão foi a evolução do papel feminino na sociedade. Se antes se dizia que “por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, hoje a reflexão é outra: mulheres não precisam estar atrás — podem estar ao lado, em igualdade de condições, protagonizando suas próprias histórias.
A edição reforçou que a luta feminina não se limita a direitos políticos, mas atravessa cultura, educação, mercado de trabalho, ciência e representatividade. Ao final, ficou a mensagem de que compreender a história é essencial para evitar distorções e combater a desinformação que ainda cerca o tema.
O programa foi encerrado com a música “Desconstruindo Amélia”, da cantora Pitty, reforçando o simbolismo da desconstrução de papéis tradicionais impostos às mulheres.
A edição do Elas reafirmou que falar sobre feminismo é falar sobre dignidade, equidade e construção de uma sociedade mais justa — para todos.