Dia de Combate à Intolerância Religiosa alerta para alta de casos

21 de janeiro 2026

Nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, uma data criada para promover o respeito à diversidade de crenças e alertar para as violações de direitos motivadas pela religião ou crença. Os números mais recentes mostram que o problema está longe de ser superado.

Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio do canal de denúncias Disque 100, apontam que o país registrou 3.853 violações por intolerância religiosa em 2024, um crescimento de mais de 80% em comparação a 2023, quando foram contabilizados 2.128 casos.

O estado de São Paulo lidera o número de ocorrências, com 919 violações em 2024, seguido pelo Rio de Janeiro, com 764 registros, e pela Bahia, que aparece em terceiro lugar com 223 casos. Todos esses estados apresentaram aumento em relação ao ano anterior.

As religiões mais atingidas continuam sendo as de matriz africana. A umbanda e o candomblé concentram o maior número de denúncias. O candomblé saltou de 58 violações em 2023 para 214 em 2024, enquanto a umbanda passou de 84 para 234 registros no mesmo período.

Outros grupos religiosos também são alvo da intolerância. Entre os evangélicos, foram registrados 111 casos em 2024, um aumento superior a 50 ocorrências em relação a 2023.

Em 2025, os registros já somam 178 violações, sendo 60 em São Paulo, 21 no Rio de Janeiro e 19 na Bahia. Mais uma vez, umbanda e candomblé aparecem entre as religiões com maior número de ocorrências, com 20 registros até o momento.

Além da intolerância religiosa, ganha destaque o conceito de racismo religioso, que evidencia o componente racial da violência sofrida por religiões afro-brasileiras. Uma pesquisa nacional intitulada “Respeite o Meu Terreiro”, realizada em 2025 com representantes de 511 terreiros, revelou que 80% das casas religiosas sofreram racismo religioso.

O levantamento aponta que 76% dos terreiros foram alvo de diferentes formas de violência, como ameaças, invasões, depredações e destruição de espaços sagrados. Os relatos mais comuns envolvem agressões verbais, xingamentos, ataques diretos e abordagens policiais discriminatórias. A violência também se estende ao ambiente digital, onde 52% das casas religiosas sofreram assédio ou ataques nas redes sociais.

Apesar da gravidade dos casos, menos de três em cada dez vítimas registraram boletim de ocorrência, o que evidencia o medo e a dificuldade de acesso à proteção institucional.

O racismo religioso é crime no Brasil, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Especialistas e lideranças religiosas defendem que o enfrentamento passa por políticas públicas eficazes, conscientização social e garantia do direito à liberdade religiosa.

Casos de intolerância ou racismo religioso podem ser denunciados de forma anônima e gratuita pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Em situações de flagrante, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. Também é possível registrar um boletim de ocorrência em qualquer delegacia de polícia.