26 de fevereiro 2026
O Divina Prosa recebeu ontem, a energia e a autenticidade da banda Niente, grupo que mistura rock alternativo, clássico e brasilidade em um som autoral marcado por atitude e reflexão.
Participaram da entrevista Marlon Mitne (guitarra e vocal), Felipe Mariano Ribeiro (baixo) e Felipe Cachoeira (guitarra solo). O baterista Vitor Miranda não pôde estar presente, mas integra o time que há cinco anos vem consolidando o nome Niente na cena regional e estadual.
A história da banda começa ainda na infância. Os integrantes se conheceram na escola, ainda no ensino fundamental, unidos pelo gosto pelo rock e pelas discussões que surgiam nas aulas especialmente as de filosofia, que, segundo eles, ajudaram a moldar o conceito artístico do grupo.
O nome “Niente” — que significa “nada” em italiano — nasceu justamente dessas reflexões sobre o significado do “nada” na sociedade atual. A escolha ganhou força após uma lembrança familiar envolvendo o avô de um dos integrantes, descendente italiano, que usava a palavra no dia a dia. O termo acabou traduzindo o espírito inicial da banda: poucos recursos, muitos sonhos e a vontade de transformar o “nada” em arte.
Durante o programa, a banda destacou o lançamento do single “Herdeiro de Nada”, já disponível no YouTube e com chegada às plataformas digitais prevista para o fim de março.
A música dialoga diretamente com o conceito do nome da banda e propõe uma reflexão sobre a sociedade contemporânea, marcada pelo imediatismo, pela busca por “dopamina rápida” e pela perda de grandes sonhos. O grupo afirma que a canção é um convite para que as pessoas voltem a viver experiências reais, fortalecer laços e resgatar o significado das relações.
Gravado de forma 100% analógica, o single marca o início de um projeto maior: a banda planeja lançar outras músicas ao longo do ano e fechar um álbum com 11 faixas autorais.
O repertório da Niente passeia por diferentes fases do rock, dos anos 60 aos 2000. Nos shows, o público encontra releituras de bandas como: Black Sabbath, Pink Floyd, Led Zeppelin, Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains.
Além de versões de nomes nacionais como Belchior, Titãs e Charlie Brown Jr..
Entre as referências pessoais citadas pelos integrantes estão Oswaldo Montenegro, Cássia Eller, Engenheiros do Hawaii, Ozzy Osbourne e Stevie Ray Vaughan — mostrando que, apesar da identidade roqueira forte, o grupo dialoga com diferentes vertentes musicais.
A banda também falou sobre os desafios de manter o rock autoral vivo em meio à cultura digital e ao consumo rápido de conteúdo. Para eles, a cena precisa de mais união entre artistas, contratantes e público, além de espaços que valorizem novas bandas e produções independentes.
Segundo os integrantes, grande parte do trabalho é feito no estilo “faça você mesmo”: produção de shows próprios, venda de camisetas e fortalecimento direto com o público.
A Niente segue com agenda ativa na região, com apresentações confirmadas em Cambuí, participação no Lobo Rock Fest e show em São Paulo ainda este ano. O grupo também anunciou ensaios abertos produzidos por eles mesmos, reforçando o espírito independente.
Ao final da entrevista no Divina Prosa, a banda agradeceu ao público que vem acompanhando o trabalho e destacou a importância dos espaços de mídia local para fortalecer a cena do rock.
A participação foi encerrada ao som de “Herdeiro de Nada”, reafirmando o que a Niente representa: intensidade, questionamento e paixão pelo rock and roll.