Cientistas descobrem mecanismo que pode “reativar” o sistema imunológico contra o câncer

11 de fevereiro 2026

Uma descoberta de pesquisadores da China e dos Estados Unidos pode representar um avanço importante no combate ao câncer. Cientistas identificaram o mecanismo que explica por que células do sistema imunológico responsáveis por atacar tumores acabam “cansando” e perdendo eficiência ao longo do tempo — e, mais do que isso, apontaram caminhos para reverter esse processo.

O estudo foi divulgado em revistas científicas internacionais e traz novas perspectivas para o aprimoramento de tratamentos como imunoterapia e terapias com células CAR-T.

O foco da pesquisa são as células T CD8+, consideradas peças-chave na defesa do organismo contra o câncer. Elas têm a função de reconhecer e destruir células tumorais.

No entanto, quando o organismo permanece exposto ao tumor por um período prolongado, essas células são estimuladas continuamente. Esse esforço excessivo provoca mudanças internas que reduzem sua capacidade de reação.

O fenômeno é conhecido como exaustão celular. Nesse estado, as células continuam presentes no corpo, mas respondem de forma limitada, o que compromete a eficácia do sistema imunológico e pode diminuir o resultado de tratamentos.

Durante o estudo, os pesquisadores identificaram um “circuito interno” responsável por esse desgaste.

Segundo os autores, o estímulo constante do câncer reduz a atividade de uma proteína chamada FOXO1, essencial para manter o equilíbrio e o metabolismo das células T.

Com menos FOXO1, cai também a produção de uma enzima chamada KLHL6, que ajuda a eliminar proteínas prejudiciais ao funcionamento celular.

Sem essa proteção, substâncias associadas ao cansaço das células passam a se acumular, como:

  • TOX, ligada à progressão da exaustão celular

  • PGAM5, relacionada a falhas nas mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia

O resultado é uma célula mais fraca, com menos energia e menor capacidade de combater o tumor.

Nos testes de laboratório, os cientistas observaram que o aumento dos níveis de KLHL6 ajudou a restaurar parte da atividade das células T. Isso indica que o desgaste pode ser revertido em determinadas condições.

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos capazes de estimular essa enzima ou reproduzir sua função, fortalecendo o sistema imunológico.

A imunoterapia funciona justamente ativando as defesas naturais do corpo para atacar o câncer. Em muitos pacientes, há boa resposta inicial, mas o efeito pode diminuir com o tempo devido à exaustão das células.

Com a nova compreensão do mecanismo, terapias como:

  • bloqueadores de pontos de controle imunológico

  • tratamentos com células CAR-T

  • terapias TCR-T

podem se tornar mais duradouras e eficientes.

Para os pesquisadores, o avanço amplia o entendimento sobre o funcionamento do sistema imunológico e pode contribuir para tratamentos mais eficazes no futuro, oferecendo novas esperanças a pacientes oncológicos.