O risco de médicos despreparados e a formação em debate no Brasil

23 de janeiro 2026

Você se sentiria seguro sendo atendido por um médico que não consegue interpretar um simples exame de raio-X? Essa provocação foi o ponto de partida de uma análise feita pelo jornalista Eduardo Oinegue ao abordar um problema sério na formação médica no Brasil.

Há alguns anos, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo identificou que parte dos recém-formados em Medicina apresentava dificuldades básicas, como a leitura de exames de imagem. Diante desse cenário preocupante, a entidade criou uma prova com o objetivo de funcionar como um filtro para o ingresso no mercado de trabalho: para obter o registro profissional, seria necessário ser aprovado na avaliação.

A iniciativa, no entanto, encontrou resistência. Um sindicato ligado a faculdades de Medicina recorreu à Justiça e conseguiu barrar a exigência da prova. Situação semelhante voltou a ocorrer quando uma associação de instituições de ensino tentou impedir a divulgação de um estudo do Ministério da Educação que apontava baixo desempenho em cerca de 30% das faculdades analisadas.

Desta vez, a tentativa não prosperou. Para Oinegue, a formação médica deve ser tratada com extrema seriedade. Ele compara o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, onde abrir uma faculdade de Medicina é um processo rigoroso, que pode levar cerca de dez anos, exigir investimentos bilionários e não depende diretamente da aprovação do governo.

No Brasil, segundo a análise, o processo é mais frágil e centralizado no poder público, o que acaba abrindo espaço para uma combinação prejudicial entre interesses políticos e oportunismo empresarial. O resultado, alerta o jornalista, é um sistema que coloca em risco a qualidade da formação profissional e, consequentemente, a segurança dos pacientes.

A discussão reacende o debate sobre a necessidade de critérios mais rigorosos para a abertura de cursos de Medicina e para a avaliação dos futuros médicos, reforçando que a saúde da população depende diretamente da qualidade de quem está na linha de frente do atendimento.